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Angelino de Oliveira, um Hino caipira


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Tristeza do Jeca, gravada originalmente por Paraguaçu, assim mesmo com “ç”, (Roque Ricciardi), emocionaria todo o país em seu relançamento com Tonico e Tinoco, e seria regravada, ao longo do tempo, por muitos outros artistas. Foi um sucesso tão grande que logo atravessou nossas fronteiras e tornou-se conhecida em diversos continentes.

Seu compositor, Angelino de Oliveira, nascido em Itaporanga, em 17 de junho de 1889, foi um verdadeiro homem dos sete instrumentos: Dentista, escrivão de polícia, comerciante, radialista, violonista, trombonista, compositor, etc., etc. Mas seria com esta última profissão que ficaria para sempre na história de nossa música.

Além de Tristeza do Jeca, Caboclo Velho, Encruzilhada, Sabiá e Prece, são verdadeiros clássicos sertanejos.

Aos 6 anos de idade Angelino muda-se, com os pais, para Botucatu, próspera cidade cujo comércio de café e algodão atrai lavradores, tropeiros, mascates, etc. Ali faz seus primeiros estudos e toma contato com violeiros vindos de diversos pontos do Brasil, em busca oportunidades, o que desperta seu interesse para música caipira.

Mais tarde, em Ribeirão Preto, faz o curso de odontologia. Mas a atração pela arte o acompanha e, agora casado com Maria Malleus, volta para Botucatu e abre a loja A Musical, onde vive em meio às partituras, instrumentos, etc., e conversa com os amigos sobre seu tema preferido: A música. Mas o comércio não o agrada e ele fecha a loja, deixa de exercer a profissão de dentista e vai trabalhar na Rádio Municipal de Botucatu, onde ocupa o posto de diretor artístico. Nesta mesma época, ingressa na Banda de Música São Benedito, onde toca trombone. (É também exímio violinista e violonista).

De seu encontro com José Maria Pires nasce o duo Vi-Gui (primeiras sílabas de violão e guitarra) e, em seguida o pianista Luís Cardoso junta-se a eles e formam o Vi-Gui-Pi (Violão, Guitarra e Piano).

Angelino de Oliveira este homem inquieto, curioso e estudioso, quando faleceu, aos 74 anos, em 24 de abril de 1964, levou consigo um pedaço da alma brasileira e nos deixou, entre tantas outras músicas, este verdadeiro “Hino Caipira” que é:

 

Tristeza do Jeca

Nestes versos tão singelos
Minha bela, meu amor
Prá você quero contar
O meu sofrer e a minha dor
Eu sou como o sabiá
Quando canta é só tristeza
Desde o galho onde está

Nesta viola eu canto e gemo de verdade
Cada toada representa uma saudade

Eu nasci naquela serra
Num ranchinho a beira chão
Todo cheio de buraco
Onde a lua faz clarão
Quando chega a madrugada
Lá no mato a passarada
Principia o barulhão

Nesta viola, eu canto e gemo de verdade
Cada toada representa uma saudade

Vou guardar minha viola
Já não posso mais cantar
Pois o Jeca quando canta
Dá vontade de chorar
O choro que vai caindo
Devagar vai se sumindo
Como as águas vão pro mar

Nesta viola, eu canto e gemo de verdade
Cada toada representa uma saudade

Autor: Braz Chediak

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