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Luíz de Castro, Mais de 2.000 músicas


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“O sertão é do tamanho do mundo”, diz Riobaldo em Grande Sertão: Veredas, a obra-prima de Guimarães Rosa.   Mas, é o mesmo personagem, no mesmo livro, quem diz: “O Sertão é sozinho”, “O sertão nunca dá notícia”, e “O sertão é sem lugar”.   E foi nesse sertão imenso e solitário,  mágico, misterioso, vivo, que Luís de Castro (Campo do Meio, MG, 1936) cresceu ouvindo suas lendas, seus poetas, seus cantadores.
 É natural que, jovem de talento e vivendo numa terra tão musical, compusesse sua primeira música ainda adolescente: Somente tu, que seria gravada por José Orlando, em 1960, se tornaria grande sucesso e seria regravada por Cascatinha e Inhana que lhe deu a forma definitiva.
Em 1965, Luís de Castro grava, pela RCA, Meu pedacinho de chão, de onde se destacariam A noite de nós dois  e  Último trago, ambas de sua autoria.
Em 1973 começa a trabalhar como radialista, na Rádio Clube de Varginha, onde permanece até 1975.
Em 1976 vai para a Rádio Jornal Sul de Minas, em Bueno Brandão, onde fica até 1978 indo, no ano seguinte, para a Rádio Clube de Pouso Alegre onde apresenta o programa Domingão Sertanejo.
Ainda nessa mesma década formou dupla com Tupi e gravou o LP Pedacinho de Chão, com alguns de seus sucessos.  E, bem humorado, gravou em 1995 um CD com músicas cômicas de sua autoria.
 Como compositor, tem músicas gravadas por Tonico e Tinoco, Cascatinha e Inhana, Lourenço e Lourival, Pedro Bento e Zé da Estrada, Belmonte e Amaraí, Sérgio Reis, Chitãozinho e Xororó, Milionário e José Rico e muitos outros.
Teve diversos parceiros, entre eles o mitológico Tião Carreiro com o qual criaria Lá onde eu moro,  Quando cai a chuva,  Aquela ingrata, etc.,  que foram gravadas por Tião Carreiro e Pardinho.
Compositor fértil, tem mais de 2000 composições,  sozinho ou em parceria, muitas delas dignas de figurar nas melhores antologias de nossa música popular. Vamos citar apenas algumas:
Jamais terei ilusão,  Tu sempre tu  e  Somente tu, gravadas por Cascatinha e Inhana.
Sofá velho e Jardim da natureza, gravadas por Lourenço e Lourival.
Galopeira,  Alma aventureira,  Cantinho do coração e Obrigado coração, gravadas por Caçula e Marinheiro.
É ou não é uma obra vasta a deste mineiro que nasceu entre montanhas, cresceu no sertão e nos legou um pedaço do espírito desta Minas de artistas particulares e universais que buscam as raízes de sua terra para melhor compreendê-la.
E já que começamos citando Guimarães Rosa, vamos terminar citando trechos de um poema de outro mineiro, Carlos Drummond de Andrade:
                        “Minas não é palavra montanhosa.
                        É palavra abissal. Minas é dentro
                        e fundo.
                       Ninguém sabe Minas.
                        Só mineiros sabem.  E não dizem
                        nem a sim mesmos o irrevelável segredo
                        chamado Minas.

 

Autor: Braz Chediak

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